sexta-feira, 17 de julho de 2009

O JARDINEIRO FELIZ


Vi outro dia uma cena que me comoveu.
Nosso condomínio é pobre, o dinheiro mal dá para pagar os funcionários. E quando, numa das raras assembléias, alguém fala que é preciso aumentar a arrecadação para dar uma caprichada no prédio, é um deus nos acuda.
Então, fica essa miséria mesmo - e vamos levando a vida.
Mas estou divagando.
O que eu queria era mesmo registrar o meu espanto quando deparei com o seu João, aposentado, ex-síndico, meu vizinho, todo sujo de terra, plantando não sei que flores no nosso parco jardim.
- Ué, seu João - disse eu -, não sabia que o senhor entendia de jardinagem.
- Entender eu não entendo, seu Carlos - respondeu. Mas alguém precisa cuidar dessas plantas, já que não temos dinheiro para pagar um jardineiro. E assim, eu vou tentando, aprendendo com os erros e quem sabe, um dia, vamos ter um jardim bem bonito.
Me despedi do seu João. Antes de entrar no Uno que me conduz diariamente ao meu detestado emprego, olhei para o prédio.
Não é que o jardim já está bonito?
O seu João pode não ser um excelente jardineiro, mas é um cidadão de mão cheia.
E enquanto esperava o semáforo da esquina ficar verde calculei quantas vezes eu fiz algo pelo condomínio, pelos vizinhos, pelos amigos, por alguém.
Foram poucas vezes, muito poucas.
Acho que devo acrescentar o egoísmo à minha lista de defeitos.

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