quinta-feira, 14 de maio de 2009

ANTES DE CAIR NO SONO


Só voltei a pensar nessa história do barulho que eu teria feito domingo no dia seguinte antes de dormir. Tive uma segunda-feira comprida e chata - meu trabalho é chato, tão chato que não vou falar para ninguém o que faço. Só digo que não vejo a hora de trocar de emprego - mas o que fazer? Burro velho não aprende...
Mas eu estava dizendo que à noite, na cama, naquela hora em que a gente fica completamente só, a alma parece que se desprendendo do corpo, indo para as lonjuras mais desconhecidas, foi que me deu um estalo: o Beto não podia ter feito o tal barulho, porque passou o dia fora, com o amigo do 21, qual é o nome dele mesmo? E chegou tarde, se me lembro às 10 horas, e logo depois foi dormir.
Então, antes de apagar nesse sono quase sem sonhos que me persegue há uns meses, fiquei com a certeza de que o barulho não veio do meu apartamento.
E isso, em vez de me tranquilizar, me atazanou ainda mais. Se não estivesse tão cansado, garanto que iria demorar a dormir por causa disso.
Dona Marta me acusou de uma coisa que não fiz. Vou ter de tirar isso a limpo. Mas como, se eu mesmo disse a ela, para me livrar de uma discussão espinhosa, que tinha pregado o retrato da Norinha na parede?
E quem foi que reclamou para ela das marteladas?
Dúvidas, interrogações, dilemas.
Quanta responsabilidade tem um homem que só quer viver em paz!

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